terça-feira, dezembro 16, 2008

Cerâmica Percussiva



O projeto “Cerâmica Percussiva”, idealizado em 2007, tem como objetivo criar instrumentos percussivos em barro, valendo-se das técnicas de confecção dos oleiros-artesãos de Icoaraci, adornado com temas marajoaras e tapajônicas. Além de criar instalações artísticas interativas utilizando peças de cerâmica instrumental percussiva e de unir uma obra de arte (cerâmica em barro) e um instrumento musical (tambor e vasos bilhas) a uma identidade vinculada aos nossos valores culturais Amazônicos.

Através da bolsa de pesquisa e experimentação em artes - 2008 do Instituto de Artes do Pará - IAP, o projeto foi concluído juntamente com os oleiros da "Anísio Artesanatos" de Icoaraci, o luthier Ray, o artesão de Apuí Salomão e o grupo de carimbó “coBra coral”. Juntos fazendo os experimentos funcionais, estéticos e sonoros e proporcionando a todos um novo conhecimento na área distinta de cada profissional.






















Neste sentido, pensou-se em criar uma peça multifuncional (instrumento musical e uma obra de arte) em argila, com características sonoras e visuais relacionando a nossa cultura. Um instrumento com sonoridades e estéticas amazônicas, inserindo o conceito dos elementos ancestrais que esses representam ao contemporâneo como símbolo de identificação de nossa região.


A Cerâmica em Icoaraci

Na vila de Icoaraci os artesãos que antes faziam réplicas das peças marajoaras e tapajônicas, possuem hoje traços e adornos que já se identificam como cerâmica de Icoaraci. Através da prática, da criatividade e da busca de conhecimento de outras técnicas e elementos, criaram uma identidade com a mistura dessas linhas, cores e ondulações das artes marajoaras, tapajônicas e os desenhos rupestres, sem esquecer da necessidade de tornar as peças comerciais, pois os artesões mantêm o sustento de suas famílias com a venda dessa peças, mesmo que artesanalmente, isso influenciou bastante nessas mudanças e criações.



















A Arte na Sociedade Indígenas

Vários estudos etnológicos nos mostram que a arte para as sociedades indígenas possui uma conotação diferente da arte conhecida da nossa sociedade.
Nas comunidades indígenas a arte se expressa no cotidiano e nos próprios indivíduos; dos utensílios domésticos aos adornos pessoais onde muitos desses adornos possuem significado para o grupo onde fazem parte. Pois, não existe um objeto artístico sem função social dentro dessas sociedades.

Dessa forma, uma arte feita com elementos do meio-ambiente e do seu repertório mítico indígena, ganham um significado diferente, uma vez que, usando uma linguagem visual, os utensílios e adornos corporais, se transformam em meio de comunicação e de documentos que os diferenciam dos outros grupos sociais.



















A origem da arte gráfica para esses povos também não provem da criatividade do artista e sim de um presente mítico para todo o grupo. Essa etnoarte como foi definida por estudiosos tem um caráter tanto comunicador como também socializador, porque dela se produz peças para o uso social desses grupos e essa utilização lhes da o título de grupo humano, possuidor de uma identidade étnica. E desses elementos revivem a mitologia do grupo, seus valores morais e éticos, um código cultural compartilhado pelos membros de toda a comunidade.

Nesta perspectiva, com base nesses conceitos podemos definir o resultado do nosso projeto como a criação de um veículo socializador que comunica, expressa e identifica a cultura do nosso povo amazônico. Através dos seus traços, cores e sonoridade.



O PROCESSO DE CONFECÇÃO


O Barro

O barro vem para as olarias, ainda "impuro"(se diz quando misturado ao barro vem folhas, pedaços de galhos, pedras, etc.) trazidos pelos "barreiros"(pessoas que extraem a argila ) . Ao chegar nas olarias, o barro passa por vários processos de limpeza o primeiro é feito pelo próprio oleiro com as mãos catando os materiais pequeno.


















Após essa fase a argila passa pela "maromba", máquina movida a energia elétrica, que comprime, misturando o barro e tornando substancialmente homogêneo. Dando mais qualidade e uniformidade para uma "boa queima". A maromba facilita a produção artesanal em larga escala, assim como a máquina que mói os cacos de cerâmica para o "chamote", um processo que seria manual e despenderia de muito tempo e força braçal é feito em apenas alguns minutos, e por uma só pessoa.






















Esse processo se faz de duas a três vezes. Após a maromba e os blocos formados de barro faz-se o ultimo processo de purificação. É passado por entre o bloco um arame fino, fatiando em varias camadas na vertical e horizontal, pois se ainda tiver qualquer outro material que não foi tirado no primeiro trabalho de limpeza do barro esse vem preso no arame.


A confecção das peças

As peças são confeccionadas no primeiro momento e em grande parte na "Roda" instrumento onde se molda o barro. Utilizando apenas água, paletas, a roda, a criatividade e habilidade das mãos do artesão. Criam-se peças de todos os tamanhos e formas. Existe, como podemos ver na foto abaixo, um medidor, mesmo as peças sendo feitas de forma artesanal. Pode-se ter uma noção de que tamanho elas ficarão após finalizadas. E assim cofeccionar várias peças similares como por exemplos 100 cinzeiros do mesmo tamanho e forma.




















Luthier

A peça de cerâmica foi modelada na forma que pudesse possuir um sistema de atracamento para esticar o couro sem prejudicar sua estrutura de argila. Esse sistema é simples utilizando o calo confeccionado na própria peça, anéis de aço e cordas.
O Primeiro experimento foi utilizado como apoio de fixação do couro, um “calo” , saliência confeccionada na própria peça, onde pudesse servi de apoio ao anel secundário que fixaria a corda na outra extremidade, prenderia e esticaria o couro. Conseguindo um resultado muito bom veja imagem abaixo.






















Na segunda peça com o mesmo moldado. O luthier experimentou fixar o anel na outra extremidade sem precisar do "calo". Foi fixado o anel no corpo do instrumento pelo processo de compressão por estar bastante justo ao tamanho da peça. Onde também conseguiu um resultado positivo criando uma outra estética.



Os Suportes de Cipó

Apuí


Depoimento: O Apuí (nome popular) pertence a família Cecropiaceae, e existem diferentes espécies de Apuí, cada qual com seu nome científico. O Apuí é um cipó que cresce sobre outras árvores lançando raízes aéreas (vem do alto em direção ao chão), e a medida que vai se desenvolvendo, abraçando e dominando a árvore que o hospedou, esta vem a morrer. É uma caracteristíca da Floresta Amazônica ela se alimentar dela mesmo, daí a constatação de que na floresta, muitas vezes morte é vida.( http://www.amazonia.org.br )


O cipó-titica

é uma planta da família Araceae, ou seja, é parente próximo da aninga, do tajá e outras plantas ornamentais. São pelo menos 13 espécies de Heteropsis ocorrendo na América tropical. Destas, 8 espécies ocorrem no Brasil e 5 podem ser encontradas no Acre, incluindo o autêntico cipó titica. (http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/03/cip-titica.html)















Percebendo a necessidade de um suporte para os tambores em cerâmica, pois poderia se desgastar com o atrito todos os simbolos decorativos que possuem no corpo da peça.























foram confeccionados quatro suportes, utilizando como materia prima cipós da região amazônica; cipó de Apuí (grosso, leve e resistente) e o cipó titica(fino e resistente) para trançar nas extremidades do acento como podemos ver imagem abaixo:


















Os suportes foram desenhados para poder apresentar os tambores de cerâmica com a estética semelhante a dos curimbós(tambores usados nos tradicionais grupos de carimbó no estado ro Pará) em sua posição horizontal. Também sendo uma peça multifuncional servindo de proteção e suporte para o tambor de cerâmica e de acento pra o músico.



























































As Peças




O trabalho estético resultante das peças cerâmico percussivas, vai mais além de um instrumento musical composto das linguagens sonoras e visuais. Podemos afirmar que este trabalho é na sua forma abstrata, a antropofagia artística da cultura popular paraense. Desenvolvido no seio dos artistas e artesãos populares de Belém, novos conceitos da arte cerâmica e musical produzida longe dos grandes salões, palcos e do universo acadêmico. Mostrando que os elementos ancestrais das várias linguagens artísticas e sociais podem surgir à cada época com um novo olhar e falar de si próprios.



Testes SonorosApresentação da bolsa de pesquisa, realizado no Instituto de Artes do Pará no dia 18 de dezembro de 2008

carimbó coBra coral - Retumbão (música da festividade em homenagem a São Benedito em Bragança -Pará)



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fotos: Mariza Miranda
texto sobre a arte na sociedade indígena - baseado no livro da Prof. Denise Pahl Schaan
revisão de texto: Chimênia Pinheiro


CONTATOS:
e-mail: luizinholins@hotmail.com

3 comentários:

ACMEMATOS disse...

Manow...ta show esse teu trabalho parabéns, adorei e claro q quero comprar um desses ai viu!! Veja pra mim!
Abção.

Marapabela disse...

está show.
Estamos te convidando para passares o Natal em Marnhãozinho- Marapanim

Vitor da Mata Martins disse...

Parabéns pelo Trabalho! Muito bom mesmo!!